Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Coldplay vende mais de 1 milhão de álbuns digitais nos Estados Unidos

Coldplay bate recorde de vendas digitais nos Estados Unidos
Banda liderada por Chris Martin vende mais de 1 milhão de álbuns digitais nos Estados Unidos
(Fonte: globo.com)

De acordo com o NME.com, os britânicos do Coldplay foram os primeiros artistas a vender mais de um milhão de álbuns digitais nos Estados Unidos. Os números, que foram fornecidos pela auditoria Nielsen Soundscan, incluem os resultados de venda dos quatro álbuns de estúdio completos da banda, um disco ao vivo e o mais recente EP, o LeftRightLeftRightLeft.
No mundo todo, o Coldplay já vendeu mais de 2 milhões de álbuns no formato digital.
RÁPIDO COMENTÁRIO: Assim como o Radiohead, alguns artistas que surgiram no "final do auge da Indústria Fonográfica" continuam angariando capital simbólico suficiente pra vender uma quantidade expressiva de discos (e em formato digital, o que é impressionante) através de determinadas estratégias específicas ao novo contexto técnico-econômico da indústria da música. Alguém saberia quais seriam essas estratégias no caso do Coldplay?

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Gravadoras se rendem à cultura da web?

A matéria publicada na capa do Segundo Caderno do jornal O Globo da última sexta-feira (somente assinantes podem acessar aqui) traz o título "Música digital 2.0 - Gravadoras se rendem à cultura da web e começam a fazer as pazes com o século XXI".
O texto, do jornalista Leonardo Lichote, diz que estamos em um "momento de virada da relação da indústria [fonográfica mundial] com o meio digital" e que este momento tem reflexos no Brasil. A virada significaria que a indústria começa a "trabalhar com o internauta na lógica da web na qual ele foi acostumado, usando a mesma oferta virtualmente infinita encontrada nos serviços de download ilegal, sem cobrar nada ou a um preço baixo".
Exemplos dessa mudança na indústria da música seriam:
  • O site brasileiro Sonora (www.sonora.com.br), que, na lógica da cultura do acesso, permite escutar as músicas gratuitamente, e cobra R$ 19,90 mensais para o download.
  • O site Spotify (www.spotify.com), que permite que os usuários escutem as músicas, junto com anúncios publicitários, gratuitamente, e sem anúncios publicitários a 9,99 libras mensais (o serviço ainda não está disponível no Brasil, mas o vídeo de propaganda do site está disponível no endereço acima).
  • O site Qtrax (www.qtrax.com), que permite o download gratuito.
  • Celulares, como o Nokia 5800 que, quando comprados, permitem que os consumidores baixem músicas por um período de um ano. Os arquivos são protegidos, não sendo permitido gravar as músicas em outros suportes, como um CD.
  • Músicas vendidas em pen drive, como as coletâneas Pen Music da EMI.
  • Músicas vendidas em estações digitais semelhantes a caixas automáticos, que podem ser baixadas para pen drives ou MP3 players, como a que existe na Fnac.
Para os gerentes de novas mídias das gravadoras que servem como fonte da matéria, o problema maior da música digital no Brasil não é licenciamento, mas os altos impostos cobrados sobre músicas vendidas no celular e na internet.
Deixo as análises para os pesquisadores de música do LabCULT.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Noites lisboetas #6 - o dia em que apanhei um cravo no chão e o coloquei na lapela


Desde que dei início à minha atual pesquisa, secretamente alimentava grandes expectativas diante da possibilidade de algum dia estar em Portugal durante o 25 de abril. Quando soube que o último LUSOCOM ocorreria uma semana antes do 35º. Aniversário da Revolução dos Cravos, não pensei duas vezes antes de prolongar minha estadia em Lisboa por mais uns diazinhos. E em que se pese o fato de o meu primeiro 25 de abril em Portugal ter sido ocupado com questões outras, desagradáveis demais para serem relatadas em todo o seu pormenor aqui neste espaço, garanto que fiz a escolha certa.

Partamos do seguinte pressuposto: nós, brasileiros (e só eu sei o quão arriscado pode ser fazer uma afirmação generalista deste naipe), tendemos a ser bastante céticos em relação a feriados nacionais de cunho político, que ou costumam se converter em meros pretextos para se folgar no trabalho e viajar com a família, ou são simplesmente ignorados em seu significado sociohistórico mais profundo. Basicamente, portanto, meu receio em relação ao 25 de abril era de que (1) a data passasse em branco ou, pior, (2) tivesse se transformado numa celebração fossilizada das glórias passadas – e qualquer pessoa minimamente inteirada da história portuguesa recente sabe o que de fato foi feito do ideário de abril. E embora haja vestígios de cristalização aqui e ali – mais ou menos conforme comentou um colega de LUSOCOM, “é sempre a mesma coisa, distribuem-se cravos, protesta-se à larga e canta-se a ‘Grândola’ [referência à canção de José Afonso que, ao ser transmitida via rádio pelos Capitães durante a madrugada do 24 para o 25 de abril é tida como deflagradora da Revolução]” – ao fim e ao cabo ainda vale, e muito, a pena estar em Portugal durante este dia.

Eu sempre achei que nós, brasileiros (de novo!), fôssemos tremendamente mal resolvidos em relação ao nosso recente período ditatorial, sobretudo se comparados a muitos dos nossos vizinhos latino-americanos: basta ver o modo tímido como nosso cinema exuma o cadáver dos desaparecidos políticos, ou mesmo o ocasional surgimento de fantasmas verde-oliva (ora no poder, ora correndo atrás do dito cujo) que insistem em sustentar, em plena rede nacional, que o que aconteceu no Brasil entre 1964 e 1985 foi uma Revolução, e não um Golpe... Mas enfim, digressiono. Talvez graças a esse caráter mal resolvido, mas, talvez, também em virtude do fato de os valores que nortearam o nosso processo de abertura ou estarem rotos desde o berço ou terem se pervertido com o passar dos anos (e nos levado até Collor, por exemplo), infelizmente, nós não temos por hábito celebrar o fim da Ditadura dos Generais, embora eu ache que o espírito de liberdade que tomou (ou deve ter tomado, sei lá, ainda estava morto nessa época) conta dos corações e mentes das pessoas naquele momento histórico deva ser constantemente celebrado. Posso estar sendo ingênuo, mas acredito e quero acreditar que, tal e qual uma tuberculose do bem, esse espírito se espalhe pelo ar e contagie todos aqueles dispostos a constatar que os tempos, de fato, mudaram.

Nesse sentido, não apenas o 25 de abril em si como o modo pelo qual ele vem sendo comemorado em Portugal fornecem algumas pistas interessantes nesse sentido. Para lembrar os portugueses de que no dia 24 de abril de 1974 eles foram dormir não podendo falar e escrever certas coisas, e acordaram no dia seguinte com este direito fundamental restituído, a revista semanal Visão lançou uma edição especial simplesmente genial do ponto de vista da sinergia entre os setores gráfico e de criação, na qual as diversas matérias eram veiculadas como que submetidas ao famigerado “lápis azul” da censura salazarista, de modo que os leitores pudessem perceber a quantidade de coisas a que eles não teriam acesso se a censura ainda vigorasse.

É óbvio que quem estiver atrás de um approach mais conservador da Revolução (!) vai encontrar motivos para se esbaldar, sobretudo sintonizando a TV aberta portuguesa: há documentários biográficos, mesas redondas e a inoxidável reprise do longa-metragem Capitães de Abril, de Maria de Medeiros, circa meia-noite. Mood semelhante pontuou o discurso das lideranças locais que antecedeu o show dos Xutos no Seixal, já comentado neste blog, quanso ficou nítido, pelo menos para mim, que o uso politiqueiro de festividades nacionais de cunho estritamente contestador não é exclusividade destas paragens. Aí, dependendo do lugar de fala e dos interesses de quem faz o discurso, ora elementos de ruptura, ora elementos de continuidade, serão menos ou mais reforçados (e voltando para Lisboa de táxi após o concerto, o motorista que me levou não cansava de se perguntar quantos mil-euros a Câmara Municipal do Seixal haveria desembolsado para trazer os Xutos de graça para o público local, de quebra angariando uns pontinhos a favor nas eleições que se avizinhavam).

Decerto há coisas mais interessantes para se ver... Faltando uma semana para o 25 de abril, começaram a pipocar em Lisboa alguns shows comemorativos, de longe as iniciativas possuidoras da proposta mais original de sempre: reunir artistas de várias gerações em torno do “espírito de abril” – o que é consideravelmente distinto de se falar nas “canções de abril”, pois embora as trovas de Zeca Afonso e seus contemporâneos sejam de uma beleza deslumbrante, vamos combinar que algumas dessas músicas já deram o que tinham que dar. Movida por esse impulso contracorrente, a boate Music Box organizou uma série de concertos intitulada “Lisboa, Capital, República”, que durou três noites: a primeira, que contou com o veterano cantautor Sergio Godinho (reposnável por impregnar “Os vampiros”, de Zeca, dum surpreendente espírito rock and roll), o duo brasileiro Couple Coffee e o chicobuarquiano JP Simões, foi das coisas mais lindas e musicalmente intensas que tive o prazer de testemunhar. As noites seguintes aglutinariam estilos e artistas tão distintos entre si quanto o fado de Camané e o hip hop de Sam the Kid.

Mas o grande barato do 25 de abril é e sempre será caminhar a esmo pelas ruas do centro de Lisboa, deixando-se levar pelas passeatas que saem da rotunda do Marquês de Pombal e deságuam no Rossio, descendo a Avenida da Liberdade abaixo, ao som de uma cacofonia de palavras de ordem e no compasso de todos aqueles que ganham as ruas na esperança de se fazerem ouvir.



video

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Project Natal agita cenário mundial dos games

A microsoft promete revolucionar o mercado mundial de videogames com seu novo acessório para o Xbox 360, apresentado durante a E3 2009: O Project Natal. Trata-se de um dispositivo equipado com uma tecnologia capaz de reconhecer a voz e os movimentos de seus usuários, que é acoplado ao console. Assim, não é necessário joystick para interagir com o ambiente do game, os cenários e avatares reagem às dinâmicas corporais de seus jogadores.
Segundo a assessoria da Microsfot, em nota colhida no site Gizmodo, o “ sensor do Project Natal é o primeiro do mundo a combinar, em um mesmo aparelho, uma câmera RGB, sensor de profundidade, microfone e processador especial. Ao contrário de câmeras e controles 2D, o Project Natal acompanha o movimento do seu corpo em 3D, enquanto responde a comandos, instruções e até mesmo mudança de tom na sua voz. Além disso, ao contrário de outros dispositivos, o sensor "Projeto Natal" não depende apenas da luz. Ele pode reconhecer você apenas olhando para seu rosto, e não só reage a palavras mas entende o que você diz. Se você passa instruções a outros jogadores num jogo de futebol americano, eles respondem a seus comandos.
Vale ressaltar que além de ter a colaboração de Steven Spielberg, a equipe de produção do Project Natal conta com o brasileiro Alex Kipman, natural da capital do Rio Grande do Norte e que batizou o projeto com o mesmo de nome de sua cidade de origem, em referência ao sentido da palavra, que no latin sigfica nascer.
Ao assistir o vídeo promocional do Project Natal, no youtube, pergunto: estaria a Microsoft inaugurando uma tendência no mercado de games, capaz de atrair um novo público desacostumado a jogar videogames, como fez o WII alguns anos atrás? Podemos dizer que este console da Nintendo está com seus dias contados, fadado ao esquecimento, diante do que o usuário pode fazer experimentando o Project Natal

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

superstar djs

Superstar Djs: Here we Go! é como se chama o livro de Dom Phillips, ex-editor da Mixmag, que hoje em dia mora no Brasil.

Em entrevista a Camilo Rocha para a Dj Mag, ele fala sobre a crítica de música em geral (usando o bom e velho jargão mainstream para designá-la) e também que existe uma intolerância forte por parte da dance music em relação a críticas negativas na mídia.

De qualquer maneira, o livro soa bem interessante: ele faz um panorama da Inglaterra pós-rave, e dá a sua versão de como o DJ passou a adquirir status de popstar.

Lembrei do trabalho do colega labcultiano Marcelo Garson, que comentou bastante esta questão e está nos preparativos para ser vizinho de Phillips em São Paulo.

FLIP + Festlip = Semana lusófona

Ao longo desta semana e da próxima, a Última Flor do Lácio estará em evidência no Rio de Janeiro. Começa amanhã (quarta-feira, 1 de julho) e vai até domingo a já tradicional Festa Literária de Paraty. Em sua sétima edição, a FLIP promete superlotar as ruas da deslumbrante cidade, a exemplo dos anos anteriores. A impecável escalação de 2009, com Chico Buarque, Gay Talese, Milton Hatoun, Alex Ross, dentre outros, decerto colaborou para o caos que foi a venda on line de ingressos para a Tenda dos Autores, que se esgotaram em pouco mais de duas horas.

Mas o meu destaque absoluto, claro, vai para o escritor português António Lobo Antunes, que fala ao público no sábado, às 19h. A visita de Lobo Antunes promove o lançamento no Brasil de seu livro O meu nome é Legião (Alfaguara), que no entanto é de 2007 - estamos atrasados, pois Além-Mar O arquipélago da insônia já havia sido lançado no final do ano passado, e há obras fundamentais da literatura loboantusiana, como As naus, que permanecem inéditas por estas paragens. Autor sempre cotado para o prêmio Nobel (dizem as más línguas que Lobo Antunes só foi preterido por José Saramago por não possuir o engajamento político de esquerda deste último), o escritor tem fama de arredio. Sua conversa com Humberto Werneck na Tenda dos Autores pode ser inesquecível, ou um fiasco. Como fiquei preso no congestionamento do Ingresso Rápido (?), só consegui garantir meu lugar na Tenda do Telão. Nos vemos lá!

A FLIP ainda apresenta, às 10h30 de sexta, uma mesa 0800 sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa com o escritor angolano Ondjaki e o brasileiro Marcelino Freire, na Casa de Cultura de Paraty.

Infelizmente coincidindo com a FLIP, começa na próxima quinta (mas vai até o dia 12 de julho!) o II Festlip - Festival de Teatro da Língua Portuguesa, reunindo companhias oriundas do Brasil, de Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique. São duas peças por país, e os espetáculos - gratuitos! - acontecem no teatro Sesc Ginástico (Centro do Rio), na Arena e no Mezzanino do Espaço Sesc de Copacabana, e no Sesc Tijuca. O restaurante 00, vizinho ao Planetário da Gávea, também oferece um cardápio especial composto por pratos característicos dos países participantes do Festival. Haverá, ainda, um show no próximo sábado, dia 4, começando às 22h no Estrela da Lapa, com artistas brasileiros, angolanos e cabo-verdianos - só fiquei me perguntando cadê os moçambicanos, portugueses e guineenses que não foram convidados a fazer parte do show, o que é, no mínimo, diplomaticamente deselegante, mas enfim... Estive no Festival no ano passado e garanto que vale muito a pena, sobretudo pela oportunidade de conferir trabalhos que, em outras circunstâncias, jamais baixariam por aqui. Interessam-me as encenações da companhia portuguesa Primeiros Sintomas, que ataca de Lindos dias, de Samuel Beckett (aquele da mulher que passa a peça inteira enterrada na areia, só com a cabeça de fora) e Mar me quer, do Grupo Teatral Tijac, de moçambique, que dialoga com a obra do escritor Mia Couto. Diante de tantas opções, pra quê ficar em casa?

Domingo, 28 de Junho de 2009

Stefhany no Caldeirão do huck - Questões sobre direito autoral

Sábado, dia 27, a cantora piauiense Stefhany e o apresentador Luciano Huck protagonizaram um evento hilário e ao mesmo tempo esclarecedor sobre o cenário musical em tempos de internet. Depois de ficar famosa no país inteiro ao ter seu videoclipe amador acessado por mais de 1 milhão de pessoas no YouTube, a cantora apareceu no programa Caldeirão do Huck para se consagrar ao som de seu grande sucesso. No entanto, a Globo não permitiu que Stefhany cantasse a música "Cross Fox", na verdade, uma versão não autorizada da música "A Thousand Miles" da cantora Vanessa Carlton.
Henry Jenkins (2008) nos fala de como a rede mundial de computadores tem permitido a visibilidade de uma produção amadora que até então ficava restrita aos amigos e familiares e Pierre Lévy (1999) aponta como a cibercultura e as ferramentas digitais (home studios, por exemplo) tem democratizado o cenário musical, além de implicarem numa erosão das categorias de autor e obra. No entanto, se podemos reconhecer no fenômeno Stefhany uma série de tendências apontadas por esses e outros pesquisadores da cibercultura, por outro, acabamos nos deparando com a emergência de discussões em rede nacional sobre direito autoral versus apropriação cultural, reafirmando a importância que essa categorias ainda apresentam na cena musical.



O curioso é que apesar da proibição de executar a música "Cross Fox", Stefhany acabou se apresentando no palco do Caldeirão ao som de mais uma versão de um hit internacional. Dessa vez de "Behind These Hazel Eyes" da Kelly Clarkson.



Ao ser questionada sobre a autoria da música em outros programas a cantora alegou que "todo mundo faz isso". Ela estava se referindo a prática disseminda entre as bandas de forró do Nordeste que tem suas composições baseadas em versões de grandes sucessos internacionais do rock e do pop. Scorpions, U2 e Michael Jackson já receberam suas versões em forró. Embora não tenha investigado a questão a fundo, não me lembro de nenhuma dessa bandas darem crédito as versões originais.
Resta a dúvida: O Luciano Huck realmente acreditou que essa nova música se tratava mesmo de uma composição original ou a Kelly Clarkson fez a gentileza de liberar a versão da Stefhany?

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Luto! Luto! Luto!




Que a lua seja espaçosa para seu moonwalk! Hasta la vista, baby!